Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Preservação ferroviária, uma exigência inadiável

Jornal do Brasil Genésio Pereira dos Santos*

Não é de agora que a preservação do patrimônio ferroviário está na fita, uma preocupação de algumas entidades preservacionistas que apelam aos governos federal e estaduais, no sentido de que as relíquias de um passado histórico do modo ferroviário não sejam destruídas, por abandono e descaso – um acervo conquistado ao longo de 164 anos com a circulação do primeiro trem, em 1854, partindo de Guia de  Pacubaíba (Magé) até a Raiz da Serra. A Estação da Leopoldina, inaugurada em 1926, foi uma façanha de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, elevado ao grau de Visconde, recentemente.

A estação é um marco primário histórico, que a União, o Estado do Rio, Estado Central e a SuperVia têm a responsabilidade pela restauração, mesmo sem a decisão sobre quem é quem, em conjunto ou isoladamente para promover a execução das obras, por se tratar de uma exigência inadiável, “no tempo e no espaço” (meu jargão).

Em vez de rivalizarem-se entre si, essas esferas deveriam formar uma parceria para a restauração das obras, antes que seja tarde demais. Os responsáveis precisam se fazer presentes, pois o prédio da estação é um das relíquias arquitetônicas do povo, assim, todos sairão ganhando, considerando-se que tudo isso é Brasil, sem embargos, frise-se.

A busca pela titularidade dessa prenda, a rigor, não leva a lugar nenhum. Já  é decorrido um ano de atraso, já que houve o último “decisum” da 7ª Turma Especializada do TRF-2, o que quer dizer que o pleito tem data anterior de ajuizamento. Enquanto isso, as obras não acontecem e o prejuízo da deterioração marca presença, pela ausência de quem de direito. 

Efetivamente não é essa a vertente para solucionar o impasse. Um gesto de grandeza precisa vir à tona. À população não interessa esse tipo de peleja alimentada pela vaidade de alguns dirigentes à frente da União, Estado Central e SuperVia;  esses dois último condenados a dar inícioàa recuperação do maravilhoso ícone.

O pior nisso tudo é a falta de vontade política das “otoridades”. O desabamento da marquise é eminente; ocorrerá a qualquer momento, basta que algum vândalo ou desocupado resolva forçar os frágeis escoramentos. Em frente ao prédio há um ponto de ônibus, e as pessoas correm perigo.

O Movimento de Preservação Ferroviária (MPF), a Associação Fluminense de Preservação Ferroviária, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, o Grupo Ferroviário de Preservação Ferroviária e a Associação de Engenheiros Ferroviários (Aenfer), todos, há décadas, lutam no sentido de que os bens da antiga Rede Ferroviária Federal S/A sejam devidamente preservados, considerando-se  que são um conjunto patrimonial rico do povo brasileiro, que não deve ficar exposto ao abandono e ao descaso. Um absurdo o que está acontecendo com a Estação Leopoldina.

* Advogado, jornalista e escritor



Tags: artigo, ferrovias, jb, transporte, trens

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