Jornal do Brasil

Terça-feira, 17 de Julho de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Fazer o Brasil crescer com ferrovias

Jornal do Brasil GENÉSIO PEREIRA DOS SANTOS*

O médico-candidato à Presidência da República Juscelino Kubistcheck de Oliveira botou na cabeça que, se eleito, ia fazer o Brasil crescer 50 anos em 5; que cumpriria o preceito da Constituição de 1891; que transferiria a capital sediada na Cidade do Rio de Janeiro para o Planalto Central e que enfrentaria outros desafios de impacto nacional, para o bem da sociedade brasileira, “no tempo e no espaço” (meu jargão), hoje.

Assumiu o governo em 1957. Entre outras medidas, através Lei nº 3.115/57, criou a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), com a fusão das 22 estradas de ferro autônomas, nas unidades da federação e fomentaria a instalação da indústria automobilística, que trouxe, sem dúvida, o progresso e o desenvolvimento ao país, com  grande investimento nesse ícone.

A natividade da RFFSA começou a partir daí, mas a preferência pelo transporte por sobre pneus passou a crescer, e a ferrovia ficou relegada a segundo plano, pois, a logística passou a ser incrementada, em detrimento do modo ferroviário, que fazia o frete porta a porta, sob a responsabilidade da estrada de ferro gestora dessa modalidade, à época, o rodoferroviário.

O presidente Juscelino e sucessores, ao longo desses 61 anos, não  se ativeram quanto ao que resultaria, a partir da década de 90, quando começou o desmonte da maior empresa estatal de transporte ferroviário da América do Sul, que teve a sua certidão de óbito emitida em 2007.

As concessões datam da década de 90, no governo Collor e aceleram-se nos seguintes. Verificou-se que não havia condições de estancar essa “sangria de desgovernos”, mas, por falta de vontade política, aliada a outras mazelas no plus de incapacidade de gestão administrativa adveio o descaso pelas ferrovias. O patrimônio incomensurável: via permanente, locomotivas, carros, vagões, instalações elétricas, pessoal e um punhado de bens bibliográficos riquíssimos, espalhados por esses Brasis afora, não estão sendo preservados, inclusive pelo Iphan, a quem cabe esse zelo.

Resta-nos um fio de esperança de que o próximo governo, que assumirá em 2019, venha com o espírito criador e desafiador de Juscelino e se proponha a fazer o Brasil crescer em construção de ferrovias, 50 anos em “4/8 anos”, a fim de que conquistemos a tão sonhada mobilidade urbana. Insisto em bater na mesma tecla: ela só virá se investirmos, corajosamente, num sistema viário realmente integrado, se o Brasil voltar a ter intensiva operação do modo ferroviário, de ponta a ponta, ou seja, de Norte a Sul; de Leste a Oeste.  Muita ferrovia!

Dentre outros desafios de crescimento, a população brasileira espera por um novo Juscelino, sonhador contemporâneo. Que nas  próximas décadas, livremo-nos dos corruptos e ladrões que assolam os quadros políticos. Elejamos candidatos de bem e competentes. O grande problema que nos aflige, num primeiro momento, é que os pré-candidatos não oferecem  um mínimo de confiança ao cidadão-contribuinte-eleitor, que está completamente desnorteado, sem saber em quem votar, em quem poderá mudar o “status quo” do país. A mesmice das candidaturas é desanimadora, infelizmente.

* Advogado e jornalista



Tags: artigo, crescimento, ferrovias, rodovias, transporte

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