Jornal do Brasil

Domingo, 22 de Julho de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

O leite que você bebe é um bom alimento ou um veneno?

Jornal do Brasil Wilson Rondó Junior *

Atualmente, uma das maiores ameaças à nossa saúde é o nosso próprio sistema de fornecimento de alimentos. Veja por exemplo o leite: antes da década de 80, as vacas leiteiras exclusivamente pastoreavam, e agora com a agricultura industrial elas passaram a se alimentar confinadas na maior parte do tempo. Com isso, tendem a ficar doentes rapidamente. 

Como passam a receber antibióticos até preventivamente nas suas rações para reduzir doenças, os patógenos se adaptam às drogas e se tornam resistentes. Os antibióticos, assim, perdem a eficiência. A ração fica contaminada, gerando como consequência mais doenças transmitidas por esses alimentos.

Como exemplo, mal ouvíamos falar sobre a listeria, uma bactéria rara em laticínios antes dos anos 90. Ela é um patógeno muito comum, mas tornou-se de alto risco no leite e produtos lácteos graças à resistência a antibióticos. 

Infelizmente, no Brasil são escassos os dados sobre ocorrência de listeriose e os possíveis casos não são identificados. Nos Estados Unidos, ocorrem cerca de 1.600 casos por ano, com a morte de cerca de 260 pessoas nesse período.

Ômega-3 contra a listeria 

Novas pesquisas de cientistas dinamarqueses mostram que a melhor maneira natural de se defender contra a listeria são os ácidos graxos ômega-3. 

Eles a neutralizam a em apenas 30 minutos, desligando certos genes que permitem que ela cause infecção. E o melhor: as bactérias não se tornam resistentes ao ômega-3. 

E o que acontece hoje? Os laticínios não têm ômega-3 suficiente, pois as vacas são alimentadas com grãos e acabam com menos da metade do teor de gordura ômega-3 que as vacas alimentadas a pasto. Além disso, os produtos de animais criados a pasto têm melhor equilíbrio entre gorduras ômega-6 e ômega-3. 

Na alimentação moderna, nós temos pouco ômega-3 e muito ômega-6, cujo excesso está ligado à inflamação silenciosa, a grande causadora das doenças crônicas. Já a gordura ômega-3 tem ação anti-inflamatória. O espaço em seu corpo para essas duas gorduras é o mesmo, e quando você come muitos ômega-6, eles substituem as saudáveis gorduras ômega-3. Com essa deficiência não há combate à inflamação ou à listeria. 

Infelizmente, os animais criados confinados têm 20 vezes mais ômega-6 do que ômega-3, enquanto as vacas alimentadas com capim são muito mais ricas em ômega-3, mantendo a proporção adequada dos ômegas, que é de dois para um. Tanto a carne quanto os laticínios de animais alimentados a pasto têm muitos outros benefícios, como: três a seis vezes mais vitamina E; quatro vezes mais beta-caroteno; mais ricos em vitaminas do complexo B, CoQ10 e zinco; 500% mais CLA. 

Agora você deve estar se perguntando: como me certificar que o leite  que consumo vem de vacas criadas a pasto? Sinto lhe dizer, mas precisamos, antes de tudo, criar sistemas certificatórios e de controle que permitam isso. Imagino que leve no mínimo cinco anos, mas deve ocorrer. Por agora, se for possível saber a procedência do leite, prefira sempre o produzido por animais criados pastoreando. Sua saúde agradece! 

*Médico e nutrólogo



Tags: alimentação, artigo, jb, médico, nutrição, saúde

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