Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Aquecimento global?

Jornal do Brasil João Wagner Alencar Castro*

A comunidade geológica internacional vem discutindo a questão das mudanças globais e climáticas desde o início dos anos 90. No decorrer do novo milênio, as geociências aproximaram-se das questões políticas para sugerir ações importantes quanto ao futuro da Terra. Porém a atenção está voltada quase que exclusivamente para o aquecimento global, em detrimento de outros problemas ambientais temíveis – contaminação dos recursos hídricos e do solo, desmatamento, inundações, desmoronamentos de encostas, furacões, terremotos, atividades vulcânicas, tsunamis, erosão costeira e outros. 

No que consiste e em que se baseia a Teoria do Aquecimento Global Antropogênico? Quais são as verdadeiras causas das mudanças climáticas que ocorrem na Terra? E de que maneira essas mudanças alteram o planeta e seus sistemas? A teoria em questão, proposta pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), trata do aquecimento global como resultado do lançamento excessivo de gases de efeito estufa pelo homem, principalmente o dióxido de carbono. Mas ver o CO2 como único controlador do clima terrestre, em detrimento a fatores como atividades solares, energia dos raios cósmicos, nuvens e atividades vulcânicas é um equívoco. 

Segundo essa teoria, os efeitos do aquecimento serão catastróficos,  com aumento da intensidade de eventos extremos, tempestades tropicais, ondas de calor e aumento do nível do mar. Essa corrente relaciona o aumento da temperatura global ao aumento das emissões de CO2 na atmosfera. Com os problemas relacionados à recessão, essa ideia passou a ser mais ligada a questões políticas e financeiras, em detrimento à real preocupação com as mudanças climáticas. De acordo com informações da COP 22, realizada em 2016, US$ 100 bilhões anuais serão distribuídos a países em desenvolvimento até 2020 para controle do efeito estufa. 

Como é uma teoria questionada, cada vez mais, por geocientistas e também por parte da população, esses recursos poderiam ser destinados ao controle de secas extremas, captação d’água, reflorestamento, saneamento, controle da poluição etc. Pelos critérios do IPCC (Relatório de 2014) ocorrerá, em 2100, um aumento de temperatura de aproximadamente 4°C, e os níveis oceânicos subirão 0,70m. No entanto, o que se tem verificado é o decaimento das temperaturas nos últimos 10 anos.

Já as calotas polares, admite-se que estão sempre em expansão e contração, não sendo possível seu derretimento total, devido ao CO2. Quanto às variações do nível relativo do mar, estudos sobre os últimos 11.500 anos, realizados pela área de Geologia Costeira e Marinha do Museu Nacional (UFRJ) e por outras instituições cientificas, desafiam a teoria do aquecimento global. Em alguns lugares do planeta, o nível do mar está subindo; em outros, descendo, devido a uma série de fatores geológicos, astronômicos e climatológicos. O mar é o principal termômetro de um aquecimento global. Nesse caso, os registros geológicos recentes não apontam tendência alarmante de elevação no Hemisfério Sul, particularmente na costa brasileira. A taxa média de variação do nível relativo do mar, durante o Holoceno, foi de  aproximadamente 0,60m de oscilação, positiva e negativa, para cada mil anos. Projeções do IPCC (2014) apontam elevação dos oceanos devido ao aquecimento global de +0,70m até 2100. Comparando os dados do Museu Nacional/UFRJ com as projeções do IPCC, verifica-se grande disparidade. Uma das principais questões a ser colocada é que o nível do mar não é global e muito menos uniforme, como afirma o IPCC. 

Com relação a gelo e degelo no Hemisfério Sul, pesquisas do cientista Jay Zwally, da Nasa, em 2015, surpreenderam ao anunciar que na Antártida está havendo um aumento na acumulação de neve, que iniciou-se há 10 mil anos. O gelo está adicionado o suficiente ao continente de maneira a compensar as maiores perdas das geleiras. Conforme informações de satélite, a camada de gelo da Antártida mostrou ganho líquido de 112 bilhões de toneladas de gelo por ano entre 1992 e 2001; diminuindo para 82 bilhões de toneladas entre 2003 e 2008. Mas na Antártida Oriental e no interior da Antártida Ocidental verificou-se ganho de gelo que excede as perdas em outras regiões do continente gelado. Sendo assim, a Antártica não está contribuindo para a elevação do nível do mar, e sim reduzindo em -0,23mm/ano.

A história da Terra é marcada por mudanças globais de curto, médio e longo prazos, decorrentes de processos influenciados por fatores tectônicos, sedimentológicos, astronômicos, climatológicos e oceanográficos. Os gases estufas das atividades humanas não são capazes de alterar demasiadamente o clima do planeta. Realça-se que a emissão desses gases poderá alterar pontualmente as condições climáticas nas grandes cidades por meio das “ilhas de calor”. O aspecto conveniente da teoria do aquecimento global antropogênico é que, apesar da sua formulação incorreta, serviu para despertar na população, melhor trato com as questões ambientais e ecológicas.

* Professor da Área de Geologia Costeira & Marinha - Museu Nacional / UFRJ



Tags: calotas polares, marinha, meio ambiente, mudanças climáticas, terra

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