Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Por que a educação precisa mudar?

Jornal do Brasil Rodolfo Bertolini*

O relatório “The Future of Jobs”, do Fórum Econômico Mundial, mostra que, até 2020, os colaboradores das empresas precisarão ter habilidades para exercer profissões do futuro. Solução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, inteligência emocional e negociação estão entre os requisitos. Diante disso, surge uma pergunta: a forma tradicional de ensino desenvolve essas habilidades?

Por conta das mudanças sociais e econômicas, transformar a educação é mais do que uma questão de vontade. É uma necessidade! Há décadas, o fluxo de produção era menor, os custos eram mais altos e bens duráveis eram acessíveis a poucos. Hoje, ao contrário dessa lógica da escassez, há a abundância: os fluxos de produção são intensos, os custos são mais baixos e há muitos carros e imóveis nas ruas.

Com isso, a economia se transformou e surgiram modelos de negócios compartilhados e inclusivos, que usam o excesso como mola propulsora. É o caso, por exemplo, da Uber, da Netflix e do Airbnb. Essa economia mais flexível é vivida e intensificada pelo que chamamos de geração flux.

Moldada pelas redes sociais, a geração flux consegue perceber o poder da conexão e do compartilhamento para mudar a vida das pessoas. O Facebook, o Twitter e o Instagram são ferramentas que possibilitam essa tendência seguir de forma muito mais evidente. Eles querem ter o maior número de experiências possíveis e seus pensamentos são voltados a isso. Portanto, esse grupo não se identifica com um professor falando enquanto eles estão sentados em cadeiras individuais.

Durante o caminho até a sala de aula, eles se conectam às redes sociais e têm acesso a conteúdos pelo Google. Mas quando chegam ao local de ensino perdem essa conexão e caem em um espaço individual. Essa constatação já mostra que a realidade fora das salas de aula é totalmente diferente da que existe dentro delas. Por outro lado, pesquisas apontam que as pessoas aprendem em um tripé: conteúdo, incentivo e interação. Não basta ter um método focado 100% na transmissão de conteúdo, já que o aluno precisa querer aprender e estar em situação de troca constante com os outros estudantes.

A aplicação de provas, portanto, não é o melhor instrumento de aprendizagem, pois decorar um conteúdo não garante que o aluno aprenda. Quando informações passadas durante três meses são consolidadas em dez questões, há muito conhecimento que não caberá ali. Por isso é tão eficiente a metodologia baseada em projetos, quando alunos trabalham em equipes para solucionar problemas reais, com acesso a recursos tecnológicos nos espaços de ensino e pesquisa.

Foi com essa proposta que o Centro Universitário Celso Lisboa instaurou, há três anos, uma metodologia própria, chamada Liga. O sistema é voltado à experiência de aprendizagem baseada em colaboração, desenvolvimento de habilidades, competências e autonomia do estudante.

Ter competência significa possuir habilidades necessárias para executar uma tarefa. Por isso buscamos essa iniciativa de ir além da teoria e do diploma, fazendo com que o estudante vivencie situações que preparam para o mercado de trabalho e para a vida. E com conhecimentos relacionados, em  vez de “decorar” o conteúdo das disciplinas, ele desenvolverá competências necessárias para se tornar um profissional de excelência.

Já os professores (há mais de um por sala) precisam fazer o que chamamos de avaliação formativa. O processo precisa ter o “olho no olho” e o “sentar ao lado”. O professor sai do papel de expositor e passa a ser um mediador. Esses profissionais vão em cada grupo dentro das salas para entender o que os estudantes têm desenvolvido e, caso identifiquem dificuldades, podem indicar que eles busquem caminhos diferentes. O mindset de toda instituição de ensino deve ser esse desejo de fazer o aluno aprender e não apenas a exigência que ele tire uma boa nota.

* CEO do Centro Universitário Celso Lisboa



Tags: economia, educação, fórum, mudanças sociais, universidade

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