Jornal do Brasil

Domingo, 27 de Maio de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Portugal, destino turístico da moda

Jornal do Brasil MAURÍCIO AQUINO

No A sensação que eu tenho e grande parte de amigos e conhecidos têm é de que todos os brasileiros estão indo ou querem ir a Portugal. Mas isso não acontece somente no Brasil. O mundo inteiro quer ir e está indo a Portugal, para morar ou para turismo, principalmente. E, desta forma, as premiações que Portugal e a cidade do Porto têm ganho estão plenamente justificadas. Portugal recebeu o World Travel Awards no final de 2017 como o melhor destino turístico do mundo. Também a cidade do Porto recebeu, pela terceira vez (já tinha recebido em 2012 e 2014), o prêmio de melhor destino turístico de 2017 pela European Best Destinations.

As razões para estas sucessivas premiações são várias, mas todas elas prendem-se ao fato de que Portugal está se transformando em um país de serviços de todos os tipos. E o turismo com os seus apêndices são responsáveis por grande parte disso. O que me cativou logo ao chegar a Portugal foram a educação e a cortesia em geral do povo português. E o fato de que todos, de maneira geral, “vestem a camisa” dos trabalhos que fazem, realmente têm muito orgulho do que fazem. 

Conversando com amigos meus que por lá passaram a turismo, e mesmo com diversos turistas estrangeiros, este foi um ponto que todos ressaltaram – a cortesia e a atenção. É impossível em um restaurante, hotel, loja de qualquer produto (pequena ou grande) você fazer a compra do bem ou serviço, simplesmente. É quase que uma coisa mágica e que quando você percebe, você já está batendo papo com o garçom do restaurante, ou do vendedor da loja. Aliás, coisa que me faz lembrar o Rio de Janeiro dos anos 50, da minha infância.

E o turismo se beneficia muito deste clima amigável do povo português. Portugal possui uma rede hoteleira com 4.805 estabelecimentos de todos os tipos (hotéis, pousadas, apart hotéis, hotéis rurais, etc) . Se compararmos com a quantidade de hotéis do Brasil, o país possuía 10.314 hotéis (com mais de 20 quartos) em 2017, em pesquisa efetuada por conceituada consultoria imobiliária e hoteleira internacional. Comparando-se o território português com o brasileiro, vemos que a oferta hoteleira em Portugal é incrivelmente mais alta.

Os hotéis portugueses são de várias categorias, gostos e bolsos. Existem os extremamente luxuosos, principalmente em Lisboa e no Porto, e as hospedarias mais modestas. Também nas pequenas cidades e áreas rurais existem os hotéis ligados a alguma atividade local, principalmente os ligados aos vinhos, o enoturismo. As grandes vinícolas estão investindo pesado neste mercado. Nas cidades de Lisboa e do Porto começam a existir, também, os flats ou serviced apartments, como são chamados por lá. Em resumo, a rede hoteleira portuguesa é grande, e cresceu mais de 2,5 vezes nos últimos 10 anos, segundo dados do site Pordata (base de dados Portugal contemporâneo).

Conjugado a esta grande rede hoteleira, temos uma miríade de restaurantes, bares, cafés e tascas, estas uma das grandes instituições de Portugal. E vamos nos repetir, pois existem estes estabelecimentos que atendem a todos os gostos, sabores, e bolsos. Fazer um passeio, em cidades como Lisboa e o Porto, e observar estes locais já vale a pena viajar para Portugal. São tão variados, saborosos, interessantes, e friso mais uma vez: são todos povoados de um atendimento cortês e orgulhoso. Eu devo ter visto, pelo menos, uns 100 locais que diziam “o melhor pastel de natas da cidade”, ou o melhor doce X do país, e por aí vai. E, do restaurante conceituado ou a tasca mais humilde, em algum ponto do  cardápio ou cartaz na porta é dito que tudo o que ali se vende é de fabricação própria. É bom perder (ou ganhar) uns bons 5 minutos e ver a loja dos pastéis de Belém em Lisboa ou no Porto, ir ao bairro do Bolhão e em frente ao mercado do bairro ver uma confeitaria onde se vê, por trás da vitrine, os confeiteiros a preparar os pastéis de nata. 

Aliás, meu amigo Sérgio já tinha me falado sobre isto e na competição que tinha com um sócio dele de, toda sexta feira, irem a uma tasca bem humilde, mas com a melhor comida possível para o ambiente. Comer (e beber) em Portugal é quase uma religião, e recomendo a quem vai lá: faça uma boa dieta antes da viagem, e entre almoço e jantar, caminhe muito.

Caminhar foi outro prazer que redescobri em Portugal. E estamos falando de um país com mais de 3.000 anos de história. Passear em Portugal é falar de seus castelos, alguns com mais de 1.300 anos, suas igrejas (algumas da época dos visigodos, como a românica da Cedofeita no Porto), sítios arqueológicos e de museus maravilhosos. Uma das coisas que o governo português tem feito são parceiras com empresas privadas para a manutenção de alguns destes locais. Em troca da exploração de atividades ligadas ao turismo, como hotéis ou restaurantes, partes sem valor histórico de alguns castelos são transformadas em estabelecimentos comerciais, e em troca a empresa cuida da parte histórica do castelo.

Vi isto em Lisboa, no Castelo de São Jorge e em Estremoz (Alentejo), no seu castelo. Espero poder escrever mais sobre o turismo em Portugal em outros artigos e com dicas de turismo. O país é convidativo e agradável. E uma correção sobre o artigo anterior. Eu mencionei a Província de Setúbal, quando seria Península de Setúbal. Fui alertado pelo Eduardo M, um grande amigo e filho de portugueses.

*Consultor de empresas 

Para maiores informações e detalhes pesquisem em www.universia.pt.

CORREÇÃO: O ARTIGO DA JORNALISTA SÔNIA ARARIPE FOI PUBLICADO NA EDIÇÃO DE ONTEM COM O TÍTULO ERRADO. O CORRETO É “O AGRO: SEM EUFEMISMOS”.

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Tags: economia, inter, moda, portugal, portugueses, turismo

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