Jornal do Brasil

Sábado, 23 de Junho de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Crise é de organização

Jornal do Brasil Marcelo Reis Garcia *

Eu ao longo dos últimos anos escuto quase diariamente que faltam projetos sociais nas áreas pobres da cidade e do estado e daí vem a violência. 

Concordo que a violência nasce e se fortalece na desigualdade e na falta de acesso ao direito social mas não é por falta de programa social. 

É por falta de organização e gestão da ação.  É por falto de foco. É por falta de compromisso com a inclusão.

Aliás se formos fazer um censo de programas e projetos passaremos de 1000 com facilidade na região metropolitana mas na realidade  fazem apenas a  gestão diária da pobreza. Não avançam na direção de que a pobreza precisa ser superada e isso só ocorrerá com acesso a educação e direitos sociais como moradia segura. 

Programa Social não é entretenimento. Ele precisa de um objetivo e sobretudo precisa de resultado. Falta é qualidade nos programas existentes. Falta articulação com a escola. Falta Avaliação. 

Eu dou um curso sobre Avaliação de Programas Sociais e sempre os alunos me contam o que estão fazendo. Aprendi a fazer a seguinte pergunta: Sim e Serviu pra alguma coisa ? 

Em  99% das vezes foi encontros, jogos, festas e até bingos mas ninguém apresenta um Plano Familiar de Superação da pobreza. 

O que que o Brasil quer com programas sociais ? Superar a pobreza gerando uma inclusão social sustentável ou apenas dizer quantos e quais programas são realizados ? 

Os programas atuais são ruins, não tem qualidade, são mal executados e não se chega a resultado algum. 

E não serão novos programas que mudarão esta realidade. 

A ideia de que qualquer ação serve é um erro histórico de quem atua na área social. 

O Sistema Protetivo do Brasil é bastante eficiente. 

Temos o Bolsa Família que é uma Segurança Social de Renda que tem quase cobertura universal entre os mais pobres e miseráveis. Temos o Beneficio da Prestação Continuada no valor 1 salário minimo para idosos e pessoas com deficiência. Sem estes dois programas de transferência de renda eu afirmo que o Rio de Janeiro já estaria vivendo na barbarie social faz muito tempo. Dinheiro na veia da pobreza. Sem intermediação e sem enrolação.

 Existe um tripé que não pode falhar para que a desigualdade seja vencida: Educação, Renda e Habitação. 

Não criem programas, não gastem recursos que não estejam dentro deste tripé e sobretudo organizem um direito que não podemos deixar de garantir a todos os brasileiros: o direito de não ser pobre. 

Não tem sentido achar sensacional termos centenas de programas sociais que atendem pobres.  O sentido do fazer social está em que a pobreza seja superada e não mantida em números de participantes de programas sociais. 

A Conquista que não podemos abrir mão na gestão social é justamente ver a Travessia da exclusão para a inclusão e daí em diante todo mundo com autonomia educacional, de renda e com habitação segura vai construir e participar das ações que bem quiserem. Querem inventar algo novo ? Inventem o Direito de não ser pobre.

*Pesquisador Social, foi Secretário Nacional de Assistência Social e Secretário Municipal do Rio de Janeiro



Tags: artigo, inclusão, rio, segurança, violência

Compartilhe: