Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Antonio Campos

O Papa na Terra Santa

Um exemplo de diálogo inter-religioso

*Antonio Campos

A viagem do Papa Francisco pelo Oriente Médio ficará na história pela grande força simbólica de que se revestiu.  Não se nega o lado politico dessa viagem, era necessária, uma viagem soberana em grandes gestos e delicadas sutilezas. O encontro entre o Papa e o Patriarca de Constantinopla seria um dos pontos altos desta peregrinação e foi mesmo a ideia que inspirou a viagem. Essa viagem revelou o pontífice como um diplomático de estilo raro entre todos que passaram pelo trono de São Pedro.  Estas viagens incluem sempre uma gigantesca dose de diplomacia.  Os seus discursos e homilias foram para mimem perfeita consonância com a melhor diplomacia almejada nesse processo de reconciliação no Oriente Médio, que é tão necessária.

Creio que essa visita, seus gestos, seus apelos, terão eco naquela longínqua região e vão contribuir para revitalizar os esforços,para completar o processo de reconciliação pela união das três religiões monoteístas, entre cristãos, muçulmanos e judeus, como meio de alcançara paz, para que todos possam trabalhar juntos pela verdadeira e duradoura paz. Um exemplo de diálogo inter-religioso.

Comoveu-me o apelo que fez, em Jerusalém, o tom conciliatório de Francisco, para que "nunca mais" seja permitido um horror como o do Holocausto, "uma monstruosidade" e "um pecado" do qual os homens devem "se envergonhar". A declaração foi dada no Memorial Yad Vashem, dedicado às vítimas do extermínio de seis milhões de judeus cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.  “Nunca Mais” deve ser para sempre lembrado pelos que lutam pela paz no Oriente Médio, esse mesmo“Nunca Mais”que se tornou palavra e símbolo dos que lutam ainda hoje no Brasil contra o regime de exceção que durou quase uma eternidade. Não se deve menosprezar o significado destas palavras. Que nos falem os sete sobreviventes daquele genocídio,o crime mais odioso da era moderna. A cena de Francisco, ao lado deles, num gesto particularmente tocante, beijando-lhes as mãos,foi comovente.

Estamos perante um Papa que acredita verdadeiramente no poder do diálogo entre os povos. Todos os caminhos podem ser longos, mas o primeiro obstáculo é a falta de vontade de diálogo. “O semeador que semeia a palavra”. Francisco tira, assim, da letra,na sua histórica viagem, o espírito que vivifica, aumentando nos seus seguidores a fé, na força do diálogo, colocando a palavra como semente de Deus na boca dos homens. O abraço sob um ecumenismo de amizade.

Outro lado de firmeza nessa viagem é que o Papa está se tornando um peregrino da Paz, tendo em alta conta a cultura do diálogo, tornando-se a maior personalidade do século XXI.

 *Antônio Campos é advogado e escritor.

Tags: Oriente Médio, papa francisco, PAZ, peregrinação, reconciliação, viagem

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