Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Antonio Campos

Padre Airton Freire, a vida como discurso

Antonio Campos

A experiência de editor, um projeto cultural tantas vezes sonhado no início de minha carreira profissional, sendo filho de escritor, tem me proporcionado muitas alegrias e descobertas. Cada livro que edito na Carpe Diem, não o vejo como um produto meramente editorial. Todos são, para mim, independentes do tema escolhido por seus autores, partes integrantes da minha biografia íntima, dos meus cadernos das afetividades humanas. Tenho-os como se fossem meus, cada vez mais estreitamente meus, pelos laços que nascem entre autores e editor. Meus, na espontaneidade, no querer bem, na medida em que tais livros, sem exceção, crescem como filhos de adoção. Sinto-me como semeador, confiante, esperançoso, na estabilização que pertence ao pai verdadeiro.

Três novos livros que estampam o selo da Carpe Diem me fizeram entender, mais uma vez, a certeza de que vale a pena apostar no melhor. Refiro-me à trilogia: Orai assim, Quando vale a pena e Um minuto com você, do Padre Airton Freire.

Antes quero dizer que conhecia há muito a obra altamente meritória e cristã desse sacerdote criador da Fundação Terra, na cidade pernambucana de Arcoverde. Mas, não imaginava que nesse incansável empreendedor de causas sociais havia um homem comprometido, com tanta sabedoria e fervor, com a palavra salvífica do Divino, transformada em lições do cotidiano. Procuro dar à palavra salvífica a sua riqueza lexical, o corolário do espírito e da doçura, o conhecimento unitivo de Deus.

Quando chegaram às minhas mãos os volumes dessa trilogia, atento no que o autor nos diz, por suas palavras orientadoras do comportamento cotidiano dentro da espiritualidade cristã, compreendi de imediato que não deveria perder a grande chance - a suprema alegria de editá-los. Essa obra fortalece a crença no progresso humano, bela como uma simplicidade luminosa.

Não ousarei descrever em síntese o que são, tamanho o parentesco que une esses livros.  Os ramos se reúnem, tamanha a sua aparente simplicidade, mas é nisso que reside a sua qualidade, sem perder, no conjunto, a sua unidade. São todos instrumentos de meditação diária. Eles nos dão lições para solução de muitos problemas diante dos quais nossas ações se debatem, na direção de um humanismo cristão.

A primeira impressão que me veio ao espírito, diante dessa trilogia, foi que estava diante de mim, não só um pensador cristão preocupado em conservar e proteger o seu povo, mas de guiá-lo para as realizações desejadas na vida interior, ainda difusa. Pelo despertar e pelas convergências entre o seu público alvo, numa região como a do autor, reconhecidamente em estado de mudanças e de muitas carências econômicas e sociais. Essa trilogia não é só para o limite geográfico de atuação do autor, ela tem abrangências que não se medem em artigo de jornal, o significado dessa obra, que adquire um sentido muito particular, em força, em sensibilidade. Que nos espera numa direção marcada pela unificação de nós mesmos, no coração de nós mesmos. Eis o semblante explicável desses livros.

O Padre Airton, como autor, a sua espiritualidade cristã, a aura que emana da sua palavra, a forma como sabe compartilhar a sua experiência de vida, procura fazer uma conexão do ser humano com a consciência coletiva do Universo, reconhecendo a essência divina do indivíduo, no aconselhamento da reforma íntima da pessoa. Ele não diz apenas palavras de vida (o Grande Caminho, o Verbo), ele faz da sua vida o seu discurso, a natureza da sua grande obra.

Antônio Campos - Advogado, escritor e editor.

Tags: antônio, Artigo, Campos, coluna, JB, texto

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