Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Antonio Campos

Das Utopias

Antonio Campos

O livro A Desumanização do escritor português Valter Hugo Mãe,é uma bela reflexão sobre o contemporâneo.A perda das utopias e da identidade está no levando à desumanização.

“O que está acontecendo neste momento é uma crise muito maior do que simplesmente financeira, é uma crise de valores, em que as pessoas estão muito perdidas”,diz o autor em entrevista recente. E acrescenta: “ (...) só quem tiver uma grande utopia, só quem for capaz de uma utopia vai conseguir ajudar-nos.” (...) “O sentido da vida para mim é o outro. Não existo enquanto sou absoluto. Existo para os outros. Só vale a pena se, efetivamente, nós formos uma espécie de corrente, alguém que participa em uma entidade maior, em um coletivo” diz ainda o autor. 

Tive a alegria de trazer Valter Hugo Mãe para aFliporto 2013, tendo fechado a programação com uma bela palestra, oportunidade em que autografou o livro A Desumanização, que é leitura indispensável.

O livro – cheio de motivações - são partes que se multiplicam e se desdobram a partir do quenos diz, e aos leitores de Vila do Conde e Barcelos. Desumanização “gira como carrosséis (...), tem olhos para todos os lados. Porque em todos os lados e no girar dos carrosséis, a fragilidade e a vulnerabilidade, que se mostram no foco primordial do livro, estão para sempre mapeadas no nosso existir. A perda do irmão ainda jovem levando Hugo Mãe a refletir sobre os limites infranqueáveis do destino, vendo o carrossel da vida passar, agora como escritor, sobre a vida longa ou a fatalidade de uma interrupção no existir, sobre a sua própria vida, talvez seja tudo o que o autor desejava para o esboço desse livro, que exige uma leitura atenta. A fragilidade como estando no fundo movente das nossas percepções, das nossas sensações, vindas geralmente das evocações, desse conjunto de fragmentos da vida que se associa aos outros. Não só de fragilidades  - e seu desassossego profundo - o livro de Hugo Mãe é composto, sobre o parentesco indissolúvel dos contrários. Esse carrossel gira sem cessar, nos conduz a um diálogo para mim evocativo –  quando o pai de Halla – uma figurante  muito especial – lhe diz que a humanidade começa no outro.

Viabilizei um histórico encontro dele como mestre Ariano Suassuna, no ano passado.

Valter Hugo Mãe é um dos maiores escritores da atualidade. Vale a pena conferir a sua obra. Afinal, já disse Mário Quintana: “Se as coisas são intangíveis/ não é motivo para não querê-las / que tristes os caminhos se não fora a mágica presença das estrelas”

Antônio Campos - Advogado e escritor. - camposad@camposadvogados.com.br

Tags: antônio, Artigo, Campos, coluna, JB

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