Setenta e sete vezes Cyl Gallindo
Aos 77 anos, na última semana, o escritor Cícero Amorim Gallindo foi para outra dimensão. Grande amigo, poeta, jornalista, cronista e ser humano. Homem solidário cuja formação sociológica influenciou suas obras literárias. Cyl Gallindo, certamente, foi um exímio intelectual da história do Estado de Pernambuco. Sertanejo do município de Buíque, o também jornalista e cronista pernambucano marcou a literatura pernambucana com livros como “A sobrevivência do mangue” e “Um morto coberto de razão”.
Pelo Instituto Maximiano Campos (IMC), o qual presido, organizou comigo a “Panorâmica do Conto de Pernambuco”, da coleção Pernambuco em Antologias e, em 2012, fez parte da comissão julgadora do Prêmio Maximiano Campos de Literatura, prêmio literário realizado, anualmente, pela instituição. Sempre com um olhar terno e, sobretudo, justo. Ele que, quando mais novo, iniciou a sua luta pela justiça social como militante estudantil.
O reconhecimento da excelência da sua obra veio com premiações como o Prêmio Nacional de Ficção e o Concurso Nacional de Poesias, além da Medalha José Mariano, esta última da Câmara Municipal do Recife. Tornou-se imortal da Academia Pernambucana de Letras. Publicou mais de uma dezena de livros, todos eles inestimáveis para o arsenal literário e cultural de Pernambuco. Tinha uma latente humanidade no coração e sempre os pés no chão.
Para nós, que continuamos na vida terrestre, fica a certeza de que, como disse outrora o escritor Guimarães Rosa: “As pessoas não morrem, ficam encantadas”. O encanto deixado por Cyl jamais se acabará e nós, apreciadores da obra e amigos do poeta, temos o dever de honrá-lo por esta admiração que nunca morrerá.
Antônio Campos - advogado, conselheiro Federal da OAB, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras e curador da Fliporto. camposad@camposadvogados.com.br
