Entre anjos e cangaceiros
Depois da obra literária intitulada “Estrelas de couro: a estética do cangaço”, verdadeiro apanhado estético do mundo do cangaço lançado em 2010, o escritor Frederico Pernambucano, também através da Editora Escrituras, lança “Benjamin Abrahão – Entre Anjos e Cangaceiros”. Na obra, ele narra a vida do imigrante Benjamin Abrahão, jovem sírio que desembarcou na capital pernambucana em 1915, dando continuidade, assim, à temática do cangaço na sua carreira literária, sempre leal à sua vocação de pesquisador e, claro, de escritor de talento.
A História e a estética são dois elementos fundamentais, característicos, das obras de Frederico Pernambucano. Em meio à sua orquestra de letras e palavras, é possível encontrar alguns traços do estilo do ilustre Gilberto Freyre, primo do escritor e seu grande inspirador no mundo literário, um mestre pernambucano. No decorrer da trama, a vida de Benjamin torna-se uma narrativa envolvente, que explora, também, a vida de outros personagens que perpassam o enredo do protagonista, levando o leitor para um contexto sertanejo, trágico e sublime.
“Chapéu de palha à cabeça, em meio a centenas de romeiros, Benjamin chega ao destino que elegera. Quase uma volta aos pagos do Oriente Médio, com a diferença de estar bem viva a divindade por aqui.”, narrou Pernambucano em um dado trecho das páginas iniciais da obra. Uma narração que, como diz o título, mostra as experiências do forasteiro, entre anjos e cangaceiros, ao se deparar com o universo nordestino brasileiro.
Frederico Pernambucano, especialista na cultura da região Nordeste do Brasil, também é autor de “Guerreiros do Sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil”, “Quem foi Lampião”, “Tragédia dos blindados: a Revolução de 30 no Recife”, entre outros livros que retratam a realidade nordestina de uma maneira singular e, ao mesmo tempo, plural e bela.
Antônio Campos - advogado, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras e curador da Fliporto. camposad@camposadvogados.com.br
