Jornal do Brasil

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Antonio Campos

O presente desejável 

Jornal do BrasilAntonio Campos

A especialista em economia criativa e desenvolvimento sustentável Lala Deheinzelin acabou de lançar o livro Desejável Mundo Novo.O livro é uma simulação para inspirar as pessoas a pensarem no futuro desejável, no dizer da autora.

No livro, a mudança de paradigma se dá graças ao fato de a sociedade ter decidido usar um óculos de quatro dimensões (4D), equilibrando a supremacia econômica com a social, a ambiental e a cultural. Com os óculos, as pessoas passaram a enxergar os bens intangíveis (cultura, conhecimento, gestão) como sendo tão preciosos quanto os tangíveis. Ativos socioambientais e culturais precisam ser avaliados em pé de igualdade com os monetários. Ela cita a fabricante de cosméticos Natura como exemplo. Um mapeamento 4D ajudaria as empresas a contribuírem para o desenvolvimento sustentável, que é tão decantado na atualidade.

O CEO emérito dos cartões Visa Internacional, Dee Hock, escreveu um livro fantástico, chamado Nascimento da Era Caórdica. Na edição brasileira tem prefácio de Oscar Motomura e Peter Senge.  A Visa Internacional tem 22 mil Bancos membros, 750 milhões de clientes e realiza transações de 1 trilhão e 250 bilhões ao ano. O autor argumenta que as organizações, em geral, baseiam-se nos conceitos falhos do século XVII, inadequados diante dos grandes problemas sistêmicos, sociais e ambientais que vivemos diariamente. Dee Hock delineia um caminho para organizações baseadas em princípios que chama caórdicos, organizações que, segundo ele, combinam com harmonia, o caos e a ordem, a competição e a cooperação.

O livro fala da incrível criação da Visa e como pessoas e instituições de várias línguas, culturas, sistemas monetários, raças, tendências políticas e econômicas juntaram-se numa organização na qual membros/proprietários interagem na mais intensa cooperação e competição ao mesmo tempo. E diz Dee Hock: “Estamos num ponto do tempo em que uma era de quatrocentos anos está morrendo e outra está lutando para nascer – uma mudança de cultura, ciência, sociedade e instituições muito maiores do que qualquer outra que o mundo já tenha experimentado. Temos à frente a possibilidade de regeneração da individualidade, da liberdade, da comunidade e da ética como o mundo nunca conheceu, e de uma harmonia com a natureza, com os outros e com a inteligência divina como o mundo jamais sonhou.”

Os gestores e governantes precisam ler esses dois autores e tentar seguir suas antevisões e ensinamentos. E teremos um mundo melhor.

 

Antônio Campos. advogado, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras e Curador da Fliporto.

camposad@camposadvogados.com.br

 

 

Tags: antônio, Campos, coluna, edição, quarta

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