'O Manuscrito' de Paulo Coelho
Caro Paulo Coelho,
O seu livro O Manuscrito encontrado em Accra é um hino de paz às religiões em um mundo que caminha para o fundamentalismo religioso.
Você, inspirado no grande Khalil Gibran e na verdade do seu coração peregrino, escreveu uma obra que é um novo O Profeta, mas com um olhar contemporâneo.
O meu pai, que era escritor, dizia-me que quando não houver saída, saia pela coragem - o valor essencial.
A paz é tarefa para os corajosos e não para os fracos, já dizia a grande alma que era Gandhi.
E assim você fala em seu manuscrito. “Não pensem que estou lhes entregando um tratado de paz. Na verdade, a partir de agora espalharemos pelo mundo uma espada invisível, para que possamos lutar contra os demônios da intolerância e da incompreensão. Procurem carregá-la até onde suas pernas aguentarem. E quando as pernas não aguentarem mais, passem adiante a palavra ou o manuscrito, sempre escolhendo pessoas dignas de empunhar esta espada”.
Venho tentando, também, espalhar essa “espada invisível” contra a intolerância e a incompreensão. O meu livro Diálogos no Mundo Contemporâneo - Por uma Cultura de Paz é um ensaio sobre esse tema. Tive a alegria de lançá-lo durante a exposição de Christina Oiticica, sua mulher, na sede da ONU, na sala onde ficam os painéis Guerra e Paz ,de Portinari, em 2011.
A intolerância e a incompreensão entre religiões, culturas e raças é o grande desafio da atualidade e vem de muito longe. Jerusalém é um dos palcos nucleares dessa intolerância. O Brasil pode ser um paradigma de uma maior tolerância para o século 21.
E é por isso que o manuscrito (pergaminho) real ou imaginário, encontrado em Accra, em árabe, hebreu e latim, permanece atual e instigante. Ele fala linguagem profética de um mundo que precisa de paz. E a causa da paz é urgente em um mundo em conflito.
O mundo precisa ler e compreender o manuscrito encontrado em Accra. E a chave ou resposta desse enigma contido no manuscrito é: coragem para o diálogo e a tolerância. A guerra é tarefa dos fracos e dos que têm medo. Libertarmo-nos de nossos medos é a forma de sermos livres.
Com a amizade, admiração e o abraço fraterno em você e em Christina, de Antônio Campos
* Advogado, Escritor, Membro da Academia Pernambucana de Letras e Curador da Fliporto. camposad@camposadvogados.com.br
