O nordeste na Sapucaí
Só deu o Nordeste na Sapucaí. Das 13 escolas que desfilaram, seis tiveram temas ligados ao Nordeste. Unidos da Tijuca venceu e brilhou homenageando Gonzagão ao som do samba e do baião, levando Exu e Pernambuco para o Brasil e para o mundo. Tive a oportunidade de assistir e abraçar Paulo Barros, a maior revelação do carnaval depois de Joãosinho Trinta. A Escola de Samba do Salgueiro, que foi segundo lugar, prestou homenagem à Literatura de Cordel. Teve um quadro de J.Borges, chamado “Forró de Bichos”, logo na entrada. O turista estrangeiro ainda pensa muito no destino Rio de Janeiro quando pensa no Brasil. E, no Rio, pensa em carnaval e na Sapucaí. Daí a importância de tais homenagens, inclusive para atrair turistas para o Nordeste e para valorizar a boa cultura produzida por nós.
“A minha emoção vai te convidar/ Canta Tijuca vem comemorar/ Inté Asa Branca encontra o pavão/ Pra coroar o Rei do Sertão”, dizia o belíssimo samba enredo da Unidos da Tijuca. Luiz Gonzaga, no ano do seu centenário, se consagrou em meio a uma imensidão de temas, alegorias e escolas de samba. O nosso Rei do baião mostrou, mais uma vez, sua imponência, e como devemos ter orgulho da sua rica contribuição para a música brasileira.
O mestre-sala e a porta-bandeira se fantasiaram de bonecos de barro. Uma ala inteira trazia asas brancas, leves e felizes, como deve ter ficado o Rei do Sertão ao sentir tamanha homenagem. Sanfonas vivas, na comissão de frente da Escola, davam início a um inesquecível tributo para os pernambucanos, nordestinos, brasileiros, que coroava a grandeza de Gonzagão.
E, assim, a Tijuca venceu, junto com a cultura nordestina e com o gênio do Sertão chamado Luiz Gonzaga. Nota 10 para todos que apostaram no tema e na importância do grande Luiz Gonzaga levando-o para um dos maiores e mais belos carnavais do mundo. Um tributo mais do que justo e digno, no ritmo festeiro típico do Rei do baião.
