Davos e o Fórum Social Mundial
De um lado, a economia efervescente e capitalista. Do outro, a crença de que “Outro mundo é possível”. O embate entre os Foros Econômicos e Sociais Mundiais mescla crenças e perspectivas diferentes, mas, também, crises existenciais presentes nos dois grupos. Reformulando, portanto: de um lado, a insatisfação do mundo capitalista com projetos propostos pela elite política, financeira e empresarial de todo o mundo. Do outro, por fim, um Foro com uma ideologia que tenta transformar o mundo.
Afinal, o que seria ideal para o mundo? O que ele deseja e precisa para ser, de fato, preservado? São perguntas que o Fórum Social, no último mês de janeiro, tentou responder. O encontro, realizado em Porto Alegre, contou com a presença e discurso da presidente Dilma. No entanto, o clima era de uma visível crise existencial. Como afirmou, na época, um dos idealizadores do fórum, o ativista Chico Whitaker. “Precisamos inventar uma maneira de começar a falar com os 99% que estão insatisfeitos”, disse, referindo-se à maioria que, provavelmente, não participa do fórum, e também enxerga a crise, mas não as soluções.
Em contraposição, este ano, o Foro Econômico Mundial completa 25 anos. São mais de duas décadas do já tradicional encontro, realizado em Davos, na Suíça, entre governantes, banqueiros e grandes empresários para discutir o rumo da economia mundial. Lá, a crise internacional é o alvo dos discursos. Problemáticas que se proliferam, diferentemente das soluções. Durante a reunião, o presidente-executivo e fundador do evento, Klaus Schwab, evidenciou a existência da crise e disse: “o capitalismo, na sua atual forma, já não se encaixa no mundo que nos cerca”.
O pessimismo evidente de ambos os lados, entretanto, não deve contaminar o mundo. O bom senso, unido ao consenso, ainda é a melhor saída para os setores econômico e social. Assim, o otimismo e as soluções surgirão, novamente, para todos.
