A resistência de Hessel
Mesmo aos 93 anos, o escritor Stéphane Hessel resiste e convoca cidadãos do mundo inteiro para fazer parte de uma luta não-armada ao lado dele. “Indignai-vos!” é a palavra ordem e o título do famoso livro-panfleto do judeu sobrevivente dos campos de concentração nazistas e herói da Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, Hessel foi um dos redatores da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um homem humanista que, mesmo com quase um século de vida, revoluciona os lugares por onde passa com a sua mensagem de indignação contra governos injustos.
Nascido em Berlim, o humanista, durante a Segunda Guerra Mundial, uniu-se ao general Charles de Gaulle, e, depois, decidiu organizar a resistência aos nazistas na França. Porém, foi denunciado e capturado, indo parar nos campos de concentração, de onde, em meio a uma transferência, conseguiu escapar, rumo a um verdadeiro exemplo de perseverança, na luta pela Justiça e por seus ideais, e de resistência, contra o comodismo político e social.
O seu livro provocou na sociedade exatamente o que ele pretendia: uma revolução. Por apenas três euros, a obra invadiu as livrarias da França, em seguida, as prateleiras domésticas dos franceses e, assim, virou um best-seller. O livro inspirou, ainda, movimentos na Europa inteira, como Os Indignados, jovens de Portugal, Espanha e Grécia que, recentemente, se uniram para lutar contra as crises econômicas e políticas que atingem seus países.
Parece, portanto, o início da realização do sonho de Hessel, que idealiza a era dos jovens lutando contra as injustiças de hoje da mesma maneira que ele lutou contra o nazismo. Eis, então, a união perfeita a favor da justiça: a vitalidade da juventude com a experiência de um herói da resistência.
Diante de toda a eloquência e o idealismo de Hessel, cuja esperança de um mundo melhor reflete-se, diretamente, nas atitudes dos jovens, o escritor, que lutou junto à França, passou a ser considerado uma espécie de Che Guevara à francesa. Stéphane Hessel é um homem que ensina, a todos, a se indignar, e não mais postergar a crise política, moral e social na qual vivemos.
