Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Antonio Campos

O centenário do Anjo Pornográfico

Jornal do BrasilAntonio Campos

Há quase 100 anos nascia um dos maiores cronistas que o mundo conheceu. Aliás, não só cronista, Nelson Rodrigues foi, também, dramaturgo, jornalista, escritor e, para o meu orgulho, um pernambucano nato, do Recife, que veio a residir no Rio de Janeiro a partir de 1916. Entre frases e obras polêmicas, e até obscenas, descobrimos o surgimento, e o significado, do verbo “rodriguear”. Para alguns, um confesso obsceno, mas, para muitos, um talento brasileiro, e inenarrável, da arte escrita. No dia 23 de agosto do próximo ano o então autor da peça Vestido de Noiva, falecido na década de 80, completaria 100 anos de vida.

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino)”, disse, certa vez, Nelson Rodrigues. Um cronista da vida real, que expressou, de maneira indescritível e realista, cenas do cotidiano. Com um cunho teatral singular, Nelson inovou e nos apresentou o Modernismo. Foram quase 20 peças escritas e interpretadas nos teatros do mundo inteiro, além das crônicas, romances e os contos rodrigueanos. Uma vida regada à Literatura e à mais pura arte. 

Nelson em sua máquina de escrever
Nelson em sua máquina de escrever

No teatro, começou com A mulher sem pecado, além de ter produzido Anjo Negro, O beijo no Asfalto, Toda Nudez Será Castigada, e entre outras verdadeiras obras-primas. Para os seus fãs-leitores, deixou-nos incríveis crônicas futebolísticas, mostrando-se um grande apaixonado por futebol, além dos livros Meu destino é pecar, A mulher que amou demais, Escravas do amor, O homem proibido, e várias adaptações das obras do recifense para telenovelas e cinema.  

Em meio a tantas polêmicas e obras, indiscutivelmente, bem escritas, Nelson Rodrigues se consagrou no meio artístico do Brasil e em outros continentes. Ensinou, com louvor e grandeza, como se faz Jornalismo, Literatura e Teatro. E disse: “Na vida, o importante é fracassar”. Portanto, nos permitamos fracassar em determinados momentos para, assim, aprendermos e crescermos com a vida, como fez Nelson Rodrigues, durante boa parte dos seus 68 anos de idade, em um legado que, certamente, se estenderá para além do seu centenário.

Tags: literatura, nelson rodrigues

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