Butão high-tech
A chegada de tecnologia ao país asiático divide opiniões
O reino de Butão, país mundialmente conhecido pelo índice da Felicidade Interna Bruta (FIB), depara-se com uma violenta inserção tecnológica nessa região que, até o ano 2000, vivia fechada para o resto do mundo. Porém, a chegada das novidades high-tech divide opiniões: até onde isso irá influenciar no FIB dos butaneses? Afinal, quem disse que celular, computador, internet e televisão, obrigatoriamente, chegam acompanhados de felicidade?
O país da felicidade chega, portanto, a uma problemática. Até o início do século 20, a pacata e religiosa região não tinha acesso a essas modernidades porque o rei butanês acreditava que tanta tecnologia poderia fazer com que a população passasse a ficar desinteressada pelas tradições e a religião, o budismo, de Butão. Posteriormente, o rei Jigme Singye resolveu, então, expor um país que vivia de maneira quase medieval à tecnologia do primeiro mundo e, assim, derrubar as fronteiras da felicidade butanesa. A ideia seria, assim, dividir a alegria daquele país localizado no sul da Ásia e, além disso, tentar fazer ainda mais feliz os seus 700 mil habitantes.

Mas, o receio do antigo rei de Butão se concretizou. Apesar do imediato sucesso dos eletrônicos no país, pesquisas assustam as consequências do efeito tecnológico entre os butaneses. A televisão, por exemplo, trouxe mais agressividade e menos produtividade aos jovens, assim como maridos menos atenciosos e alunos mais desinteressados. Adolescentes passaram a utilizar roupas ocidentais, deixando de lado a tradição budanesa.
O que, para a maioria dos países desenvolvidos, é sinônimo de felicidade, trouxe problemas e grandes dilemas para o feliz Butão. Ainda assim, os budaneses parecem lutar pelo crescimento do FIB e, simultaneamente, tentam aprender a conviver com tanta modernização para, assim, o Butão possa tornar-se um país rico e menos feliz.
Antônio Campos é advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras
