Os sinos também dobram por Hemingway
Ernest Miller Hemingway (1899 – 1961) é considerado um dos escritores mais influentes da literatura universal. No último dia 2 de julho foram completados 50 anos de sua morte. Homem que amava a coragem e a verdade, porém marcado por uma profunda solidão. Matou-se com a mesma espingarda com que caçava leões, aos 61 anos.
Hemingway foi um homem de ação. Tornou-se célebre como o viajante por excelência. Do final da Primeira Guerra Mundial até a sua morte, o escritor nunca morou muito tempo num mesmo continente. Estava sempre às voltas com touradas na Espanha, amigos intelectuais em Paris e Veneza, pesca em alto-mar em Key West, seu refúgio em Havana, e safáris na África. Essa rica experiência de vida lhe rendeu farto material de trabalho e serviu para tornar popular não só seu modo de vida sofisticado e internacional, como também os lugares por onde passava. Mesmo sem saber, ele foi um grande colaborador dos modernos guias de viagem. O último filme de Woody Allen, Meia-noite em Paris, traz a figura do escritor nos anos 20 em Paris.

Para Hemingway, a tarefa do escritor é “durar e fazer o seu trabalho, ver, ouvir, apreender e compreender; e escrever quando há qualquer coisa que se sabe; e não antes; e não muito depois”, como escreveu no livro Morte ao entardecer. Ele continua: “Deixemos quem quiser salvar o mundo, desde que o possamos ver claro e como um todo. Então, se for feita com verdade, qualquer parte que componha representará o todo. O que há a fazer é trabalhar e aprender a fazê-lo”. Escrever o que se sabe com verdade e arte. Eis a lição de Hemingway.
O seu livro O velho e o mar é uma obra-prima, e também o mais conhecido entre os leitores. Foi o último de seus livros a ser publicado, em 1952, quando o escritor ainda era vivo, e o que mais recebeu elogios dos críticos literários.
Tenho O velho e mar como um de meus livros preferidos, daqueles que dormem ao lado da cama e estão sempre à mão nos momentos de desalento. Nessas horas, dele, sempre que posso, releio o seguinte trecho: “Mas o homem não é feito para a derrota, disse (Santiago). – Um homem pode ser destruído mas não derrotado...”. Aprecio este diálogo porquanto nele Hemingway demonstra que o homem pode até ser destruído, mas a sua obra e os seus sonhos jamais serão derrotados.
A Cambridge University Press irá publicar, esse ano, a correspondência de Hemingway, com cerca de 16 volumes, devendo o primeiro livro ser lançado em outubro. Recentemente, em Havana, aconteceu um colóquio internacional sobre o escritor, no Museu Finca Vigia, onde ele residiu quando morou em Cuba, lugar que tive a oportunidade de conhecer.
E se me perguntarem por quem os sinos dobram? Eles também dobraram por Hemingway, cuja vida e obra o eternizaram.
