Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Anna Ramalho

Santa Rita de Cássia, rogai pelo Brasil!

Escrevo no dia 22 de maio, dia dedicado a Santa Rita de Cássia, adorada na Igreja Católica por representar a padroeira das causas impossíveis. A santinha, que ganhou ainda no século passado uma linda igreja no Centro do Rio de Janeiro, nasceu no lugarejo Roca Porena, na belíssima região da Úmbria, na Itália, em 22 de maio de 1381. Seus pais, já idosos, queriam um filho, mas tiveram que se contentar com Margherita, o nome que lhe deram, donde a abreviatura Rita.

Tio Google, claro, me conta tudo isso e mais: a menina Rita foi educada no cristianismo e passou infância e adolescência ajudando os pais na lavoura. Ainda recém-nascida, teria recebido uma graça muito especial: deitada num cesto, enquanto os pais lavoravam, teve seu rosto coberto por uma nuvem de abelhas, que nada lhe fizeram. Milagre, sem dúvida. Rita casou com um também lavrador, Paulo Fernando, com quem teve os filhos João Thiago e Paulo Maria. Se escapou das abelhas, não teve como fugir dos maus tratos do marido, tipo rude, grosseiro e colérico. Com a paciência dos verdadeiros santos, conseguiu domar a fera e levá-lo para Deus e sua Igreja. Paulo Fernando, no entanto, foi assassinado, vítima das lutas políticas do seu tempo. A pobre Rita, desconsolada, ainda teve que lidar com a fúria dos filhos, que queriam porque queriam vingar a morte do pai. Desesperada, a mãe invocou a Deus que levasse seus filhos. Preferia vê-los mortos a vê-los transgredindo as Suas leis. Vítimas da peste que arrasou a Europa na época, os dois rapazes morreram. Sozinha no mundo, Rita, depois de muita luta, conseguiu ser admitida no Convento das Irmãs Agostinianas de Santa Maria Madalena, em Cássia, para tornar-se uma freira.

Santa Rita de Cássia
Santa Rita de Cássia

São inúmeros os relatos dos milagres de Santa Rita naquela época. Mas o mais impressionante deu-se na ocasião de sua morte, em 22 de maio de 1457: a chaga que Rita tinha na testa, desde quando entrara no convento, fechou-se como que por encanto. E o mau cheiro que exalava, forte e desagradável, virou um discreto perfume de rosas. Santa Rita foi canonizada em 24 de maio de 1900, Ano Santo, pelo Papa Leão XIII, depois de milhares de relatos das “causas impossíveis” que por sua intercessão tinham sido resolvidas.

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Sempre adorei histórias de santos. Natural para quem tem duas freiras como tias: a tia avó e a tia tia, irmã da mãe. A tia avó, Madre Maria José de Jesus, Beata da Igreja Católica, em processo de canonização. Mas foi no convento da outra tia, Madre Teresa, que aprendi muito sobre a vida dos santos. Eu adorava ler aqueles relatos tão fascinantes em pequenos livros ilustrados - e claro que a história de Santa Rita era das mais emocionantes. Tenho uma imagem dela na minha cabeceira e a ela recorro sempre. Ultimamente tenho solicitado demais a pobre Rita, culpa desse Brasil que virou uma causa impossível sem tamanho, desses políticos que, se vivessem no tempo dela, teriam tido certamente o mesmo fim do Paulo Fernando.

Duro de aguentar isso aqui. Ainda mais hoje que Dona Dilma subiu nas pesquisas, ó gloriosa Santa Rita!!!!  Milagre, de verdade, acho os resultados de todas essas pesquisas. Repito: em toda a minha já longa vida, JAMAIS fui ouvida por qualquer instituto de opinião. Nem eu nem os meus muitos amigos. Acho estranho. Só não é estranho o que ganham esses auscultadores de opinião.

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 Dona Dilma só é católica quando lhe interessa. Acho que hoje é o dia de ela acender uma vela para Santa Rita de Cássia, né não?

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Outro grande devoto de  Santa Rita de Cássia é o Manoel Carlos. Com todo o respeito à santa e a ele também, de quem gosto muito, nem ela está conseguindo milagre com a chatíssima Em Família, que não decola de jeito nenhum. Aquela família disfuncional, aquele ator antipático, aquela Lolita que é chatésima, aquele núcleo dos velhos que é um porre absoluto, as sapatilhas que não atam e nem desatam, ficam só na meia sola, não há Santa Rita que dê jeito. Mas uma coisa ela conseguiu: fazer do quase marginal Jairo, vivido impecavelmente pelo ator Marcello Melo Jr., a personagem mais interessante da novela. Não é nada, não é nada, já dá para acender outra uma vela de agradecimento.

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No mais, e para todos nós: Santa Rita de Cássia, rogai por nós, que recorremos a vós!

Tags: cultura, dilma, manoel carlos, novela, religião

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