Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Anna Ramalho

Montagem chilena leva aos palcos magia de Édith Piaf

Jornal do Brasil

De Santiago do Chile escreve nossa correspondente at large, a doutora em Teatro, Deolinda Vilhena. As fotos são de Irène Kirsch, diretora do Institut Français do Chile.

“Em maio de 1983 Bibi Ferreira estreou no Teatro Ginástico a peça “Piaf – A vida de uma estrela da canção”, da inglesa Pam Gems, traduzida por Millôr Fernandes e dirigida por Flávio Rangel. Bibi ganhou todos os prêmios possíveis com o espetáculo e tornou-se a imagem e a voz de Piaf para todos os que a viram em cena. Durante cinco anos o espetáculo rodou por mais de 50 cidades e transformou-se na primeira peça de teatro a ultrapassar a marca de um milhão de espectadores. Produzido porPedro Rovai e Tertuliano dos Passos a montagem reuniu uma equipe de produção de peso ao longo dos anos: Picchin Plá, Mercedes Alverga, Rômulo Marinho Jr. , Paulo de Simone e esta jornalista que vos escreve, Deolinda Vilhena. 

Pois na noite do dia 3 de janeiro vivi no Teatro Mori de Santiago do Chile uma enorme emoção: assistir a montagem chilena de Piaf, de Pam Gems tendo como protagonista Annie Murath soba direção de Marco Espinoza. Traduzido por Soledad Lagos e com direção musical de Izidor Leitinger (professor titular do Pantheatre de Paris), tendo ainda em cena os músicos: Ignacio Andrade, Martín de la Parra Gustavo San Martín.

Annie Murath e Deolinda Vilhena
Annie Murath e Deolinda Vilhena

Confesso que tremi nas bases pois faria não só uma viagem no tempo revendo cada momento dos anos de minha vida que vivi graças a Bibi e Piaf, mas também porque ver outra atriz em cena vivendo Piaf depois de ver Bibi fazê-lo até em Paris era algo fora de cogitação na minha vida...é como Gôta d’água da qual me recusei a ver todas as remontagens...mas confesso que chorei. 

Annie Murath faz lindamente o papel e a magia de Piaf arrebatou a plateia chilena, na qual pude observar a presença de muitos jovens. Em sua segunda temporada em Santiago, o espetáculo estreou em abril de 2012, o sucesso deve-se em grande parte ao trabalho de Annie Murath. Annie fez seus estudos de canto e interpretação na Universidad de Chile, acumulando também a docência o que a faz reconhecida no meio teatral chileno como mestra e responsável pelas grandes vozes de atores e atrizes do teatro chileno. 

Ao final do espetáculo fiz questão de encontra-la e prometi fazer a ponte com Bibi, vou enviar o DVD da peça para que ela conheça a nossa Piaf. Um ponto em comum elas têm: antes de interpretar Piaf nenhuma das duas falava francês. Foi um encontro emocionante, pois quando comecei a falar de Bibi e da trajetória de 30 anos interpretando Piaf ela quis saber tudo e mais um pouco. Vinicius está certíssimo quando diz a vida é arte do encontro e eu fiz mais um belo encontro e dessa vez em Santiago do Chile.

Irène Kirsch, a atriz chilena  Annie Murath  protagonista de  Piaf e Deolinda Vilhena
Irène Kirsch, a atriz chilena  Annie Murath  protagonista de  Piaf e Deolinda Vilhena

 

Tags: artes, bibi ferreira, cultura, deolinda vilhena, irène kirsch, teatro

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Comentários

1 comentário
  • Marcos Lucio Pinto

    Não entendi a afirmação: "Um ponto em comum elas têm: antes de interpretar Piaf nenhuma das duas falava francês". Em entrevista para a Folha de São Paulo, em 27/05/12, chegando aos 90 anos, a magnífica e insuperável atriz, bailarina, cantora, compositora, diretora disse: "Sempre fui retraída. Só não sou assim no palco. Lá, perco a inibição. Nunca fui encaminhada para fazer carreira. Era uma moça como qualquer outra daquela geração. Todas estudavam piano, francês e dança. Minha mãe trabalhava muito para pagar os meus professores, e eu estudava o que fosse possível para a minha mãe ficar feliz." Suponho, então, que ela aprendeu francês bem jovem ainda, não?
    Marcos Lúcio

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