Crônica: Com Chico e Tom na veia para suportar a baixaria
Para quem é adicto de televisão como eu, têm sido dias horríveis na maioria – e algumas vezes hilários – essas duas últimas semanas na TV aberta.
Não vejo a excrescência que é esse BBB e jamais vou entender como uma emissora que produz um show como Gil, Caetano e Ivete; novelas como A Vida da Gente, Aquele Beijo - e paro por aí porque do Fim da Estampa todo mundo já sabe o que penso – possa botar no ar este verdadeiro circo dos horrores, este pornoshow de quinta, com gente de vigésima, comandado por um jornalista que um dia admirei tanto.

Na luta por audiência faz-se do sujo ao nojento, pouco importando o que telespectadores mais ou menos sensíveis possam pensar.Quer saber? O negócio é boicotar os patrocinadores: não comprar nada do que é ofertado. Quem sabe, assim, acabe essa BBBBoçalidade????
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Arrisco aqui um palpite: não será supresa para mim se a Val Marchiori - a Big Franga milliardaire que dita as regras no programa (????) Mulheres Ricas, da Band - apareça morta um dia desses. Assassinada. Ou por uma das “colegas de trabalho”, como diria titio Sílvio Santos, ou por algum anônimo cidadão que tenha sido atingido em sua sanidade pelo besteirol patológico que a criatura despeja com a mesma volúpia com que o entorna champagne em sua flûte. Como bebe a madame!!!! Big Franga é questão de AA. E é ex-Big Franga, aliás, porque o maridão, o dono do frigorófico Big Frango, já botou a lourosa pra correr. E ela agora corre atrás do prejuízo. Quer mais, quer muito, precisa de muito dinheiro para alimentar aquela ciranda de futilidades, o dinheiro que faz com que ela sorria e mostre aqueles dentes carésimos, encapadésimos – tudo falso, com certeza. A lourona, quando ri, tapa os dentes. Coisa de quem já não os teve. Em compensação, agora, tem até demais. A Narcisa, que é uma figura e é coisa nossa, já tirou seu sarro particular com aquela Pompadour de Vila Mathilde. Mas foi pouco. Ali, como diria meu querido compadre Gustavo, só abatendo a tiros. Kakakakakakakkakakaka!!!!!
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Graças ao Bom Pai e aos bons deuses da música que concentraram aqui abaixo da Linha do Equador o que de melhor há em termos musicais, pude arejar de toda essa baixaria num espaço de apenas 48 horas. Estou completamente revigorada e pronta até a encarar safadezas debaixo das cobertas que chegam ao noticiário policial, depois de ter visto Chico Buarque, no domingo, e Tom Jobim, na terça-feira. Chico, graças a Deus novamente, ao vivo e em cores, lindo de morrer com seu “cabelo cinza”, e felizinho da vida com a namorada de cabelo “cor de abóbora”. De todos os seus shows – e vi todos os que andaram por aqui – é seu melhor solo. Tom, o saudoso Maestro Soberano de todos nós, revi, emocionada, no imperdível documentário de Nelson Pereira dos Santos, “A Música segundo Tom Jobim” – 88 minutos da mais bela música do mundo, nas vozes e nos instrumentos de artistas como Frank Sinatra, Elis Regina, Judy Garland, Gal Costa, Henri Salvador, Elizeth Cardoso, Chico Buarque, Sarah Vaughn, Silvinha Teles, Rosinha de Valença, Ron Carter, Oscar Peterson e vai por aí. A direção do filme é de Nelson e da jovem neta de Tom, Dora Jobim. Programão maravilhoso, dou fé e assino embaixo. Ou, adaptando os versos de Chico em Paratodos, “creia ilustre cavalheiro/contra fel, moléstia e crime/use Chico Buarque/vá de Tom Jobim”.
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E, como bônus para todos nós, vamos rever Chico e Tom cantando Anos Dourados. Não é uma ótima?
