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Novo Jackson?

Natural de Serra Talhada, Pernambuco, criado em Catolé do Rocha, a cidade do paraibano Chico Cesar, o percussionista, cantor e autor Jonas Epifânio dos Santos, aliás Escurinho, tem lançado um DVD na série Toca Brasil (Atração/Itaú Cultural). A série pretende difundir ases da música popular pouco conhecidos país adentro. Escurinho integrou os grupos Ferradura, Jaguaribe Carne e fez a trilha do espetáculo Vau de Sarapalha. Gravou dois CDs, Labace (1998) e Malocage (2003). Desenvolveu uma linguagem que mistura coco, embolada, ciranda, xaxado, reggae, caboclinho, boi de reisado, aditivados por guitarra pesada (de Alex Madureira), na linha de um Jackson do Pandeiro pós-mangue beat, com atitude performática. ''Não dá para viver só com o folclore, não somos só isso. Sou do sertão, mas adoro a capital'', define ele, que se apresenta dentro do Toca Brasil dias 22 e 23, na Sala Cássia Eller, em Brasília. Algumas músicas (de Escurinho e parceiros): Coco na Penha, Os primos de Guimarães, Lá vem a onda, Boi Tungão, Roda de maloqueiro, Tô na rede e Camisa amarela, poema de Maiacovski, tradução de Fernando Peixoto, música de Milton Dornellas.

Delano voa solo

Com lançamento simultâneo no Brasil, Alemanha e Ásia, Cris Delano, vocalista do Bossacucanova, sai solo pela Deckdisc num CD produzido por Alex Moreira, com direção artística de Roberto Menescal. No cardápio, uma parceria inesperada do bossanovista Marcos Valle e o rapper Gabriel O Pensador, numa letra sobre desilusão amorosa. Entram ainda Gaiolas abertas, de Martinho da Vila e João Donato, O Brasil precisa balançar, de Roberto Menescal e Paulo Cesar Pinheiro, além de Previsão, do Bossacucanova, que era cantada por Adriana Calcanhotto, autora da letra.

Jazz pandeiro

John Coltrane (Giant steps) no lesco-lesco do pandeiro? Stevie Wonder (Big brother), Horace Silver (Song for my father) e Wayne Shorter (United) nas platinelas? O responsável por este jazz (soul) samba, na mão contrária do trânsito habitual, é o nova-iorquino Scott Feiner. Ex- guitarrista de jazz, ele ouviu um menino tocando pandeiro numa rua de Olinda, em 1999, e converteu-se. Morou quatro anos no Brasil, aprendeu o instrumento e promove a fusão no recém-lançado CD Pandeiro jazz, ao lado de Joel Frahm (sax-tenor), Freddie Bryant (violões) e participações em algumas faixas de Joe Martin (baixo acústico) e Beto Cazes (tamborim e ganzá). ''Ele encontrou uma forma de manter o pandeiro no centro da música, cercado por texturas ricas e interessantes'', escreveu a sumidade do jazz moderno Brad Mehldau no encarte.

Badi na real

Usando com ironia parte do título do clássico de Lewis Carroll, Alice no país das maravilhas, o novo disco de Badi Assad, Wonderland, acentua contrastes. ''Aborda a fragilidade humana e os problemas do mundo.'' Viaja de um Billy Blanco sociólogo (''Não fala com pobre/ não dá mão a preto/ não carrega embrulho/ pra que tanta pose doutor?/ pra que esse orgulho?'') a uma Tori Amos dissecando um estupro (Black dove). Do alcoolismo (Vacilão, de Zé Roberto, gravado por Zeca Pagodinho) ao protesto anticolonialista (United States of Piauí, de Gonzaguinha) e o caos contemporâneo antenado por Lenine e Braulio Tavares (Acredite ou não), 15 anos atrás. Paulista de São João da Boa Vista, irmã dos violonistas eruditos Sérgio e Odair Assad, Badi - também com largo trajeto exterior como os manos - abre turnê nacional hoje e amanhã em Brasília (Teatro Garagem). Segue por Londrina, SP e Rio (Teatro Rival, dias 25 e 26), além de Campinas, Santos, Belo Horizonte, Diadema e Foz do Iguaçu.

Rock em retalhos

Mais quatro DVDs do selo ST2 ajudam a compor o quebra-cabeças de imagens preciosas, fisgadas no longo do percurso do The Ed Sullivan Show, espécie de salão de visitas televisivo da família americana durante 23 anos, nas décadas de 60 e 70. Fabulous females/ Bad boys of rock 'n' roll arrebanha Diana Ross & The Supremes (Love child), Janis Joplin (Maybe, maybe, maybe, Raise your hand), mais The Animals (Don't let me be misunderstood), Rolling Stones (Satisfaction) e James Brown (Papa's got a brand new bag). Em Goone too soon/ Groovy sounds estão Elvis Presley (Peace in the valley), Buddy Holly (Oh, boy!) e The Beach Boys (Good vibrations). Já West coast rock/ Sounds of the cities traz The Byrds (Turn! Turn! Turn), The Mamas and the Papas (California dreamin') e The Ike & Tina Turner Revue (Proud Mary). E o Lennon & Mc Cartney songbook/ Move to the music mescla The Beatles (Ticket to ride, Twist and shout), Petula Clark (Fool on the hill) e Sly and the Family Stone (Dance to the music).

Atitude suspeita

Nascida em Belém, Selma Gillet trocou a carreirra de redatora publicitária pela música, demonstra no arremesso do CD Atitude suspeita, dia 19, no Espaço Cultural Sérgio Porto. Depois de lotar o Mistura Fina, o show, dirigido por Luiz Brasil, alista 16 números, oito da cantora (Como você, Ave, ave, Fadas, Diga eu, Íris, Eros) e oito alheias, entre elas Indauê Tupã (Paulo André/ Ruy Barata), Maracatu atômico (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina), O quereres (Caetano) e Preciso dizer que te amo (Cazuza/ Dé/ Bebel).

Laboratório potiguar

Os grupos Apartment, Nightmare of You, The Dears e Teitur estão em negociações para uma participação no festival Mada, que rola de 4 a 6 de maio em Natal, Rio Grande do Norte. Mesmo que não venham agora, poderão entrar numa edição especial do Mada em Mossoró, no interior do estado. ''É difícil trazer uma banda internacional para um show só, exclusivo, como fizemos com The Walkmen, em 2004, mas uma delas certamente virá a Natal'', diz Jomardo Jomas, produtor do evento. Trinta atrações apresentam-se na oitava versão do festival, de Nando Reis a Cansei de Ser Sexy, de Biquíni Cavadão a Pitty, Cachorro Grande, Pavilhão 9, O Rappa, Reação em Cadeia. E mais Daniel Beleza e os Corações em Fúria (SP), Ímpar (MG), Zeferina Bomba (PB), Banzé (SP), oito bandas locais e outras selecionadas no Mada-Laboratório Pop 2006, no Teatro Odisséia, na Lapa.

Björk à francesa

Conhecida aqui a bordo de seu projeto Nouvelle Vague (clássicos dos 80 em bossa nova) na edição carioca do Vivo Open Air, no ano passado, a cantora francesa Camille exibe outra face no Abril pro Rock, dia 23, no Recife, dia 25 no Sesc Pompéia, de SP, e dia 26 no Teatro Odisséia, na Lapa. É a Camille solo de Le fil (Virgin), seu primeiro CD lançado aqui, que já vendeu 500 mil cópias na Europa. Pela incorporação de estranhamentos sonoros, uso da voz nos estertores e temas incomuns (La jeune fille aux cheveux blancs, Pour que l'amour me quitte, Baby carni bird) ela já recebeu o apelido de Björk francesa.

Guns volta luso

O Rock in Rio em Lisboa promete o milagre de uma nova apresentação do Guns and Roses dia 27 de maio, numa noite que terá ainda no cenário principal o Palco Mundo, o peso da baiana Pitty, do Darkness e do local Xutos e Pontapés. O festival abre no dia anterior com Shakira, Jamiroquai e Ivete Sangalo. Segue, dia 2 de junho, com o floydiano Roger Waters, Santana, o português Rui Veloso e o JQuest brasuca. Dia 3, vai de Red Hot Chilli Peppers, Kasabian, Orishas e Da Weasel. E dia 4, Sting, GNR, Anastacia, Corrine Bailey e o rapper carioca Marcelo D2. Enquanto isso, na Tenda Eletrônica desfilarão, nestes mesmos cinco dias, da Groove Armada Sound System a Carl Cox, François K, 2 Many DJ's e Danny Tenaglia. E no palco Hot Stage, de Fingertips e Kill The Young a Starsailor e os brasileiros Zé Ricardo, Nando Reis e Sandra de Sá.

Trópicos ingleses

No festival Tropicalia - A revolution in Brazilian culture, no Barbican Center, em Londres, Gal Costa canta com Lanny Gordin e Tutty Moreno no dia 28. Tom Zé mostra Estudando o pagode, dia 1º de maio. Totonho e Os Cabra, dia 20 de maio, resumem os repertórios de seus dois discos e ainda fazem dois shows no interior da Inglaterra. Também se apresenta o Tropicalia Remixed, formado por Catatau (Cidadão Instigado), Kassin, Orquestra Imperial, os convivas Gruffs (Super Furry Animals) e Seam O'Hagan (High Lamas) e Pupilo, do Nação Zumbi, grupo que divide a noite de 22 de maio com os Mutantes reagrupados.

Dica de disco

Um dos integrantes do Grupo Semente, que, ao lado de Teresa Cristina (uma das convidadas da gravação), alavancou o samba na Lapa, Pedro Miranda canta Coisa com coisa (Deckdisc) em seu luminoso disco solo. Hábil nas divisões, da Chula cortada (Roque Ferreira) à ancestral embolada Sapo no saco (Jararaca), Pedro destaca-se pelo esmero na pesquisa do repertório, enquanto o mestre Paulão 7 Cordas encarrega-se de pincelar nos timbres de fundo clarinete, clarone, tuba, trombone, sax-tenor, mais cavaco, banjo, violões e percussão. Além de uma rara parceria de Candeia e Paulinho da Viola (Amor sem preconceito), há pérolas preciosas e obscuras de Heitor dos Prazeres (o gozado libelo Nada de rock rock), Zé da Zilda (Dona Joaninha, com Ary Monteiro), António Nássara e Orestes Barbosa (Caixa econômica), Zé Keti (a faixa-título) e até de Chico Buarque, o malicioso Doze anos, da Ópera do malandro. Este foi originalmente gravado em duo pelo autor e Moreira da Silva, do qual PM conservou o censurado ''concurso de pipoca'' (a palavra certa foi substituída por uma semelhante). Coisa com coisa termina nas reticências ingênuas da marchinha Vírgula (Alberto Ribeiro/ Frazão), outra afirmação do talento do cantor.

TELE GRÁFICAS

  • Baseado no repertório dos CD e DVD Ao vivo, marcos de dez anos de carreira, Pedro Mariano volta ao Canecão dia 20, com direito a homenagem à mãe, Elis Regina.

  • Até amanhã, a diva do jazz Jane Monheit destila de Over the rainbow a Começar de novo, no Mistura Fina.

  • Violonista, aranjador e compositor, que estudou violão com Odair Assad e Nicanor Teixeira e já tocou com Clementina de Jesus e Carlos Lyra, Marco Campos, ex-Cantares, calejado no circuito internacional (Montreux Jazz Festival e clubes de jazz de Paris), lança seu disco Solo, pelo selo Guitarra Brasileira, de Renato Piau, dias 5 e 6 de maio, no Espaço Cultural Correia Lima, no Catete. Piau participa junto com o pianista Marcelo Matos.

  • Hoje e amanhã tem Arranco de Varsóvia no Estrela da Lapa. Na cadência do samba inclui duas inéditas de Dorival Caymmi.

  • No mês do choro do Carioca da Gema, a bola da vez, dia 18, é o Água de Moringa junto com o cantor Marcos Sacramento.

  • Também dia 18, no Fashion Mall, Donatinho, Junior Teixeira e Jodele Larcher juntam funk dos 70, bases de house e jungle, e imagens mixadas no Simbora Live A.V.

  • Durval Ferreira e Quarteto convidam Zezé Motta, no J Club da Casa Julieta de Serpa, no Flamengo, hoje.

  • Vai até dia 18, Pra você me ouvir mostra do CD de Eliana Printes (produzido por Chico Cesar) no Centro Cultural Carioca.

  • Com nove anos de praia, o quarteto instrumental Olho Na Rua, que se apresenta aos domingos no calçadão de Ipanema, ganhou especial na rádio Darmstadt, do jornalista Felipe Tadeu. O grupo toca nas quintas de abril no Armazém Digital de Botafogo e, dia 9 de maio, na Sala Baden Powell.

  • [14/ABR/2006]

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